Entrevista com Penny Bernath, 5º Dan

Por: Malory Graham, 3rd Dan

 

 

 

[Nota do Editor: Penny Bernath é uma instrutora na Aikikai da Florida. Ela é conhecida por toda a USA pela sua forte técnica, cativante personalidade e o seu nível de organização. Com o seu marido, Peter Bernath, são os organizadores do Seminário Anual de Inverno em Ft. Lauderdale, Florida.

 

Esta entrevista foi editada pela Aikido online. Photos cortesia da Florida Aikikai.



 

Como começou, quando e onde iniciou a prática do Aikido?

Comecei o Aikido em 1973. Tinha nessa altura 20 anos. Eu queria se capaz de proteger a mim própria, então eu estava interessada em começar em uma Arte Marcial. Visitei uns quantos Dojos de Karate, mas não era exactamente o que eu procurava. Queria ser capaz de proteger-me a mim própria mas sem ter que ter um contacto físico directo, sem ter uma confrontação física directa. Um dia vi uma demonstração de Aikido no Parque, era enérgica e intrigante parecia como uma dança poderosa. Decidi-me, dizendo para mim própria. - Vou experimentar pelo menos um mês.
Mas o Aikido era muito mais complicado do que eu estava à espera, continuei por mais um mês, fui continuando um mês de cada vez.

                                                                      

Quem foi o seu primeiro Instrutor?

Steve House foi o meu primeiro Sensei. Ele era um Professor muito sério, eu adorei e respeitei-o sempre.
Estávamos sobre a orientação do Yamada Sensei, que vinha periodicamente e a quem éramos leais. Em 1980 Steve obteve um trabalho como Policia no Novo México e teve que deixar o Dojo. (Alguns anos mais tarde Steve morreu a cumprir o seu dever.) Yamada Sensei queria ter um Dojo aqui na Florida então ele perguntou-me se queria manter a Escola de Aikido, que ele iria enviar um Instrutor. Eu concordei e o Sensei enviou o Peter que é agora o meu marido.

Foi difícil ter um novo instrutor no Dojo?

Foi uma situação difícil para o Peter e para os alunos do Steve. Os praticantes que existam eram leais ao Steve, usavam o seu estilo e as suas maneiras. Peter não era um Professor com experiência, embora tivesse um enorme talento. Os alunos na sua maioria saíram. Foi muito complicado manter a escola e começar tudo de novo.

Eu lembro-me de Kanai Sensei perguntar-nos uma vez. - Quantos cintos pretos têm no Dojo?  Nós olhamos um para o outro e respondemos. - Nôs os dois.
As coisas não estavam nada boas, mas desde então Florida Aikikai tem vindo a crescer e já tem para mais de 100 praticantes, com cintos preto de todos os níveis.

O que é ser mulher instrutor? As mulheres têm especiais desafios?

Penso que na primeira vez que considerei o meu género feminino, foi depois do exame para cinto negro em que comecei a ensinar o Aikido a 2 classes por semana.  Especialmente na minha primeira classe que ensinei, lembro-me muito bem eram só homens na classe, ao meu redor.
Estive todo o tempo dizendo para mim própria. -Estou com controlo, eu sei o que estou fazendo, mantém-te forte.
Mas dentro de mim havia uma mulher dizendo. - Isto é uma Arte Marcial  e tu és uma mulher rodeada por homens.

Tenho que confessar, eu não penso que Aikido seja para Homens ou seja para mulheres, não é isso que está em causa. Penso que se estiver no lugar certo no momento certo irá criar um poderoso movimento que irá misturar a sua energia com a do seu parceiro de treino.
Não interessa se você é uma mulher ou um homem.

Como mantêm a sua vida equilibrada apesar de tanta actividade?

Tenho dois filhos, uma rapariga de 13 anos e um rapaz de 17 anos. Estou a trabalhar no mestrado de educação e sou 5ºDan cinto preto de Aikido.
Então, eu sou uma mulher muito ocupada, raramente paro em casa e quando estou em casa é para fazer trabalho de casa, lavar a roupa etc.. 
Às vezes é muito duro, e o Aikido é o meu grande escape, vou treinar e tudo vai bem a seguir. 

 

Já usou o Aikido para se defender na rua?

Sim, a alguns anos quando eu fui sozinha aos Correios, era jovem e inocente, assim que cheguei notei que havia ali uns jovens um pouco suspeitos, não liguei importância e continuei.
Quando sai do edifício um dos tipos agarrou-me pela frente e tentou atirar-me ao chão, enquanto puxava o meu colar que trazia ao pescoço.

Eu rodei sobre os meus pés instintivamente e o sujeito perdeu o equilíbrio, de repente um outro agarrou-me por trás pelo pescoço, de novo rodei sobre os meus pés (Como tantas vezes faço no Aikido.) o sujeito perdeu o equilíbrio e caiu no chão. Os dois olharam para mim surpreendidos e começaram a correr.

Pensei acerca deste acontecimento e compreendi que tinha sido o Aikido, eu apenas tinha misturado os movimentos do Aikido com o do atacante.

O confronto foi resolvido sem confrontos físicos sem agressões.
Se pensar em agir defendendo-se agredindo o adversário e se não tiver capacidade para o atacante será como enfurecer um urso.
O movimento, a dinâmica é a essência da Defesa-pessoal, a agressão como resposta aos confrontos físicos só irá trazer violência e mais agressão.