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Por: Malory Graham,
3ªDan
Nota do editor: Barbara Britton é um Shidoin de
USAF e instrutor no New England Aikikai e Aikikai
Framingham. Ela é bem conhecida como uma das estudantes
sénior da Nitta Sensei, pela sua personalidade calorosa
e magnética e pelas suas habilidades técnicas. Ela,
juntamente com seu marido, David Halprin, 6º Dan,
ensinam no Dojo Framingham, bem como na New England
Aikikai.
Esta entrevista levada a cabo em Framingham, Massachusetts,
foi extraída do novo vídeo sobre a Superior Classificação
dos Direitos das Mulheres Instrutores da Federação
Aikido dos EUA, intitulado "Holding up Half the
Sky". Na foto pode-se ver a graduação que tinha
na altura da entrevista.
O vídeo inclui entrevistas e manifestações de dez
instrutores mulheres, da USAF e agora está disponível
no catálogo de soluções online do Aikido. Para obter
mais informações contacte por favor Malory Graham,
instrutor em Aikikai Puget Sound em Seattle, WA
em: MaloryGraham@hotmail.com.
Esta entrevista foi editada para a Aikido Online.
Fotos, cortesia Framingham Aikikai e Dan Gauger.
P: Quando foi a primeira vez que ouviu falar
em Aikido?
Na escola de pós-graduação, li o livro de George
Leonard "Educação e Ecstasy" e ele falava sobre
Aikido. Pareceu-me muito intrigante. Numa fase seguinte,
movi-me para Boston e procurei na Lista Telefónica
e entrei para o Dojo da Kanai Sensei. Senti que
foi a maior sorte que aconteceu na minha vida.
P: Quando começou formalmente a praticar
Aikido?
Comecei a praticar em 1978. Quando na primeira vez
que fui para o Dojo, eu realmente não sabia que
poderia ser por tão longo tempo, mas Adorei. Adorei
a forma da Arte. Mas, foi uma luta para mim quando
comecei. Foi muito difícil. Tive problemas em aprender
a rolar o meu corpo no tapete, que mão agarrava
que mão, que pé colocar na frente. Um dos meus professores
costumava dizer-me, "coloca seu outro pé esquerdo
na frente". E por isso, era muito difícil no início,
mas penso que fazia parte da minha luta interna,
lutar para aprender e evoluir.
P: Quais foram os seus Professores e que
influência tiveram em si?
Sinto que tive muita sorte de ter tido Kanai Sensei
como Professor. Foi bom tê-lo como Sensei. O andar
com ele foi muito calmo, parecia um tipo melancólico.
Assim, levou-me alguns anos a perceber que ele era
uma alma gentil. Ele era muito gentil e quando sobre
o Tatami eu era tratada como um igual.
Penso que, como mulher, o treino era tão difícil
para mim como para os homens.
Quando fiz "ukemi" (Queda no Aikido depois de ser
projectada.) pela acção do Sensei Kanai, senti que
aprendia a técnica muito melhor do que quando estava
a observar, porque podia sentir exactamente
o que ele estava a fazer ao meu corpo durante a
execução da técnica.
P: Como foi os primeiros anos a treinar em New
England Aikikai?
Quando comecei, a New England Aikikai situava-se
na praça central de Cambridge e havia bastantes
estudantes talvez 100 a 120 mais ou menos. Nos 25
anos que andei lá sempre houve sempre uma boa quantidade
de mulheres. Depois aconteceu termos perdido o espaço
em "Central Square" e tivemos que nos mudar para
"Porter Square", do outro lado da Cambridge. O novo
edifício ainda estava em construção e tivemos que
treinar na Cave com umas condições muito más, rodeados
de lixo da obra e de buracos à volta do Tapete.
Na noite em que pudemos ocupar o 2º Andar no qual
fizemos parte da construção e onde definitivamente
se iria colocar o Dojo, foi uma noite mágica.
P:
Quando começou a ensinar pela primeira vez e como
foi a experiência?
Eu obtive o meu cinto negro no verão de 1984 na
USAF, East Coast Summer Camp, e comecei a ensinar
muito pouco tempo depois, provavelmente num espaço
de seis meses a um ano. Eu tinha que ensinar na
Classe que treina de manhã e muitas vezes eu era
única mulher presente naquela Classe. Mesmo com
um grande numero de mulheres que tínhamos no Dojo,
mas aquelas horas não havia nenhuma a treinar e
a maior parte das vezes eram sete os praticantes
e todos homens.
Todos me respeitavam. nunca tive a experiência
de ninguém a desafiar-me, penso que o conflito era
mais comigo própria, penso que era mais a minha
mente a pregar-me truques levando-me dizer coisas
como, "O que é que este tipos pensarão de mim".
Eu realmente não gosto de ensinar, não gosto de
ter as luzes da ribalta sobre mim, nem gosto de
ter as pessoas a olharem para mim. Penso no entanto
que foi bom para mim, penso que aprendi bastante.
Podemos ver o pouco que sabemos quando estamos a
ensinar e na próxima vez que vemos uma Técnica demonstrada
por alguém, olhamos com mais cuidado podendo vir
a compreender a Técnica de uma forma diferente.
P:
Como tem sido praticar e ensinar ao longo do tempo?
Quando comecei a treinar fazia-o a tempo inteiro
todas as noites no Dojo, o que era maravilhoso.
Depois casei e tive filhos e então tornou-se muito
difícil para mim treinar como o fazia antes. Portanto,
agora só treino três vezes por semana e penso que
é perfeito para mim.
Meu marido abriu um Dojo Framingham Aikikai,
no qual eu desfruto do prazer de ensinar uma classe
de principiantes. Sinto-me muito confortável a ensinar
os praticantes principiantes.
P: Tem usado o
Aikido na sua vida diária ou na rua?
Sim já usei duas vezes o Aikido na vida real.
A primeira vez foi logo no principio quando
na minha carreira como Terapeuta. Num programa para
jovens, assisti a uma luta de uma secretária com
um rapaz e achei que tinha que intervir ajudando
a senhora, o que acabei por o fazer usando uma técnica
de "Sankyu" do Aikido.
A segunda vez foi mais recentemente quando
um cliente atrasado mental e esquizofrénico tentou
agarrar-me violentamente magoando-me. De imediato
peguei-o num movimento rápido pus ele da porta para
fora.
Fiquei um bocadinho assustada depois, porque pensei
que o podia ter magoado, foi tudo muito rápido,
nem precisei de pensar.
P:
O que a mantém praticando Aikido, durante todos
estes anos?
Ainda estou interessada em ir todas as noites praticar
Aikido, por causa do desafio físico que o Aikido
representa. Especialmente gosto de trabalhar no
duro, suar bastante, chegar ao fim do treino completamente
exausta. Assim posso sentir que foi um bom dia,
um grande dia.
Tenho pessoas excelentes trabalhando nesses objectivos
comigo, homens e mulheres, puxamos uns pelos outros
para treinar o máximo.
Kanai Sensei
faleceu em 2004
Traduzido
por: Orlando Marques 27/12/2008
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