De: VETRINAREA [mailto:@gmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 28 de Maio de 2010 12:42
Para: web@aikidoadas.com
Assunto: Discriminação e Descriminação

 

 

 

 

Mestre Orlando,

 

Na nossa vida pessoal e profissional acabamos sempre que ter de enfrentar algumas situações em que não somos compreendidos.

Na nossa sociedade actual este tipo de ocorrência agrava-se e intensifica-se porque nós deixámos de ser pessoas humildes e respeitadoras dos outros. Hoje, muitas pessoas estão convencidas que sabem tudo acerca de tudo. Principalmente, tenho visto muitos pais agirem desta forma para com professores. Hoje, o professor parece que já nem é considerado como alguém que tem algo a ensinar, mas como um mero funcionário que tem a obrigação de passar os alunos, já que os alunos não têm obrigação nenhuma.

Os pais que agem desta forma não só magoam os professores como enchem os seus filhos de crenças limitadoras, que vão diminuindo a cada dia o ser humano imenso que existe dentro de uma criança, e desta forma magoam toda a sociedade porque comprometem o seu futuro.

 

Como mãe, acredito que as nossas crianças são capazes de sonhar e de fazer, e que necessitam que os pais estejam ao seu lado, dando apoio, motivando, acreditando nelas, e trabalhando a par com elas no crescimento das suas potencialidades. Se os nossos filhos se enervam num exame é nosso dever agir com sabedoria e transmitir paz ; se os nossos filhos têm medo, é nosso dever agarrar a sua mão e transmitir tranquilidade; se os nossos filhos não ultrapassam uma etapa hoje é nosso dever compreender o motivo, apoiar e caminhar a lado. Mas, não podemos, em momento algum, transformar os nossos filhos nos cumpridores dos nossos sonhos, nos executantes perfeitos de actividades, de testes, de acções…nem nós somos assim. Os sonhos e as etapas têm de pertencer sempre a cada um e o caminho, embora possa ser feito em companhia, tem de ser percorrido pelas pernas próprias de cada um.

 

Como mãe de um aluno seu (também criança) confio imenso que nas suas aulas o meu filho aprende sobre um dos valores mais essenciais ao ser humano: o respeito (pelo mestre e pelo Dojo). O respeito por aquele que ajuda a aprender e o respeito pelo espaço onde se aprende. Este mesmo respeito, que não é medo, nem conseguido pela ameaça, mas sim um respeito que decorre do bom exemplo. Bom exemplo de prática, mas principalmente bom exemplo de carácter.

Como sei isto? Porque também sou sua aluna, e foi sempre esta atitude que presenciei de si no Dojo (e fora dele).         
É este valor humano tão essencial e tão perdido que ainda hoje aprendo de si.

 

"Para os outros pais". No Aikido trabalhamos sempre as crenças potenciadoras que elevam a pessoa à sua verdadeira condição humana. As crianças, e adultos, treinam o acreditar que são capazes. Às vezes ficamos nervosos, ui… e se ficamos… até nós adultos(!) e às vezes sabíamos o exame todo e não passamos porque com os nervos não fizemos nada bem.

A primeira e mais importante lição a aprender no Aikido, não é executar técnicas perfeitamente, mas antes o dominar o nosso espírito e mente para que nenhuma emoção de insegurança, medo ou “nervos” perturbe o nosso desempenho. Aprendemos esta lição no Dojo, muitas vezes depois de “não passar num exame”, e esta é a maior lição e a mais importante. Vamos precisar dela tantas vezes na nossa vida. Muito mais do que de certo vamos ter de fazer um  shomen Utchi (Ataque à cabeça) na perfeição a alguém.

 

Mestre,

Continue a trabalhar como tem feito até aqui, motivado pelo Ki de forma serena. Uma mãe incriminou, mas eu tenho a certeza que tal como eu, existem muitas mães que valorizam, acreditam e confiam no seu trabalho!

 

Sua Aluna,

Sofia Nascimento