Experimentar: de 28-09-2010

É normal as pessoas quererem experimentar antes de tomarem uma decisão. Este ato de experimentar aplica-se a quase tudo e ninguém se admira quando se experimenta uma peça de roupa a qual nos serve em número e em tamanho, mas a qual não compramos porque não gostamos de nos ver naquela roupa. Também sucede pedirmos a Provar a roupaopinião dum amigo(a) e mediante esse parecer decidirmos comprar.
Porque será que o nosso olhar ou o nosso gosto não se interessou pelo que viu  e depois de ouvir uma segunda opinião acabamos por comprar e usar algo que a princípio não gostamos?
Haverá certamente quem diga que somos influenciáveis ou que aquele amigo(a) tem uma grande influência em nós.

No campo desportivo também sucede o mesmo que nos campos físicos de uso e compra de roupa. Também aqui nesta área há pessoas que não praticam uma determinada actividade porque não gostam do grupo ou porque não gostam da roupa muito estreita ao corpo ou ainda porque a roupa é muito larga.

A nossa imagem é muito importante para nós e mais ainda quando pensamos que não estamos favorecidos em alguma parte do corpo. Pode-se dizer que tem tudo a ver com a vaidade ou com o orgulho, mas também eu sinto que tudo implica com a nossa auto-estima.

A auto-estima é tão importante que se a tivermos muito fraca  sofremos imenso com tudo o que nos rodeia. Vejam o caso dum homem que fica calvo ou careca e agora juntem a esse detalhe o fato de ainda ser um jovem  ou simplesmente um trintão. É grave e esse fato levará alguma da sua auto-estima. Para compensar usam um boné, chapéu ou capuz. Também há aqueles que definitivamente rapam todo o resto do cabelo e acabam com a ideia que não têm cabelo pela substituição da ideia, cortaram o cabelo totalmente.

Nas mulheres o cabelo é importante, mas mais ainda as formas físicas elegantes. As mulheres detestam ter volume na barriga ou em qualquer outra parte do corpo. Quando se diz volume é para não dizer gordura, pneu, etc., o que é verdade é que não é nada agradável ouvir os outros nos dizerem "coisas" sobre aquilo que temos e que odiamos ter.

Mulher procura, experimenta.Experimentar pode ser por uma questão de gosto, tamanho, ambiente ou físico.
Também se gosta de experimentar o físico e neste campo situam-se as relações humanas, onde muitas vezes um homem e uma mulher após experimentarem-se decidem nunca mais se voltarem a ver. Isto significa que foi um total desastre o contato físico entre ambos, não haverá muitas explicações para estes desencontros, como também não haverá muitas explicações para os encontros tórridos que levam as pessoas a manterem o contato físico por horas ou noite fora.

Concluímos que o "experimentar" é muito importante para todos nós e quanto mais velhos somos, mais forte é a necessidade de experimentar. Mais velhos não significa idosos, se quisermos falar dos idosos rapidamente iremos perceber que os idosos não querem saber da maior parte dos critérios usados pelos outros grupos etários para o "experimentar".
Os idosos e as pessoas de meia-idade têm um critério para o experimentar que raramente preocupa os outros grupos, é o conforto do corpo e a paz do espírito.
O idoso dá uma especial atenção ao conforto que possa receber no "experimentar", assim como à sua paz de espírito.
Nunca uma pessoa de meia-idade ou idoso compraria uns sapatos que lhe ficassem apertados, só porque era o único dos que estava na moda, que o estabelecimento tinha e que conseguia meter nos pés.

Será que podemos experimentar uma Arte Marcial?
Que conclusões, que experiências, se podem obter de algo tão vasto tão intenso tão complexo como por exemplo o Aikido?
Grupo  experimentado os exercícios.Posso experimentar jogar à bola?
Ninguém pergunta se pode experimentar, todos partem do principio que são capazes de jogarem à bola "Futebol". Não me surpreende num qualquer jardim público ver uma senhora a tentar jogar à bola ou a dar uns chutos na bola, mesmo com sapatos de tacão alto. E porquê?
Porque está tão difundido e já tantas vezes visto, que as pessoas acham que são capazes de fazer como os outros.
Eu na minha infância jogava à bola horas e horas seguidas, na rua de terra batida, por cima de vidros, cacos, folhas de metal enferrujadas e descalço. Descalço?!
Era um prazer jogar descalço estar descalço, para além disso evitava-se os castigos da mãe por apresentar os sapatos estragados. Os arranjos dos sapatos não eram baratos e não se podia comprar sapatos novos, todos os meses.

Então concluímos; se ao ver tanto deste desporto (futebol) sentimos que somos capazes de o fazer, porque não fazemos o mesmo com outras atividades, como por exemplo o Aikido?
Hoje em dia há tantos vídeos a correr na Net sobre tudo e mais alguma coisa. Sobre o Aikido há centenas de vídeos de dezenas e dezenas de Mestres, que demonstram como se pratica o que se pratica e quem pratica e até o porquê.

Recordo-me dos tempos em que fui ao banco fazer um depósito do dinheiro para a aquisição dum livro de Aikido.
Era um livro dum Mestre muito famoso no mundo Aikido, "Morihiro Saito", First Printing, September 1973.
Vol. 1 Basic Techniques , passados 3 meses fiz o mesmo para obter o Vol. 2.
Não existia em Portugal nada sobre Aikido (Não existia nada sobre nada) e aquela compra custou-me metade do meu salário, foi muitíssimo caro.
O livro veio dos EUA da Japan Publication Trading, CO.
San Francisco, Califórnia.

Numa Arte Marcial como o Aikido não é preciso ter capacidades técnicas especiais para ficar e "jogar", no futebol joguei anos e anos, horas e horas seguidas por dia e quando cheguei a adulto disseram-me que eu não sabia jogar.

No Aikido ninguém nos coloca no "banco", nem ninguém nos diz que não precisamos aparecer porque não fomos convocados para o jogo de Domingo.
No Futebol se não tivermos uma "estrelinha" a abençoar-nos, bem podemos marcar 30 golos nos Juniores, que de nada vale para passarmos aos seniores.

No Aikido ninguém lhe pede que tenha uma "estrelinha" ou que marque muitos golos ou que não deixe entrar nenhum golo. A única coisa que lhe pedem no Aikido é coragem, vontade e paciência para aprender coisas novas e únicas.

Quando alguém me pergunta se pode experimentar eu digo sempre que sim, claro que pode experimentar. Mas fico sempre a pensar no que será que aquela pessoa vem "experimentar".

O que será que leva uma pessoa a "experimentar" uma aula de Arte Marcial?

Será que uma Arte marcial é possível de se conhecer numa aula de 1.30h?

Poderia colocar aquela pessoa que me pediu para experimentar, numa sessão de concentração e respiração.
Será que ficaria a pensar que o Aikido não tem movimento, é só estar sentado o tempo todo!

E se lhe desse uma aula sobre armas, ou sobre esquiva do corpo aos ataques, ou sobre defesa pessoal, ou .....

Há tanta coisa para aprender que mesmo que treinemos a vida toda, nunca saberemos tudo sobre o Aikido.

Um conselho:
Conflito agressões na rua.Experimente ver muitos dos vídeos sobre Aikido que correm na Net e conclua se gosta, se lhe assenta (a roupa) bem, se tem coragem, vontade e paciência. Se o objectivo é só saber uns truques sobre defesa pessoal deixe-me informar que é exatamente isso que fazem à nossa Policia.
Ensinam-lhes uns truques de defesa pessoal (na formação) os quais passados alguns meses já não se lembram e mesmo que se lembrem já não têm preparação física, nem reflexos, para os porem em prática.

Sem treinar semanalmente tudo desaparece.

Se a sua segurança ou a dos seus, só é preocupação quando precisar. Recordo-lhe que nessa altura é sempre,
TARDE DEMAIS.


Orlando Marques