Amar e ser amado: De
18-12-2010
1) Amar e ser amado.
2) Amar e não ser amado.
3) Não amar e ser amado.
4) Não amar e não ser amado.
Quem não deseja amar e ser amado?
É a 1ª emoção o mais importante estado
emocional. Afinal sem amar e sem ser amado a nossa vida despe-se do maior e do
mais importante sentimento que nos envolve e emociona os nossos sentidos.
É uma raridade acontecer esse estado emocional e depois é outra raridade
manter-se durante anos ou mesmo uma vida, mas acontece.
É um conto de fadas, pode-se até dizer: - E viveram felizes para sempre.
Claro que ninguém vive feliz para sempre, vive-se feliz um
dia e outro já não, mas vai-se vivendo e ultrapassando as dificuldades duma
relação a dois, com inteligência, com amor, com paciência. Seja como for, o que importa é que aquelas pessoas conseguem manter-se juntas e conseguem viver em harmonia.
Estranhamente nunca consegui ultrapassar o prazo de garantia
das minhas relações, uma durou 13 anos, outra 10 anos, outra 2 anos e esta já
vai em 5 anos, vamos a ver se será a última, nunca se sabe o que o destino tem
reservado para nós.
Agora vejam o caso das minhas duas irmãs ou do meu irmão que
ficou viúvo recentemente duma senhora com quem viveu a vida toda, mais de 40
anos. Admirável a sua relação! Era daqueles casais que dava gosto estar ao pé,
sempre a brincarem e a acarinharem-se. Igualmente admirável é as ligações da
minhas irmãs, mais velhas que o meu irmão e ainda com o mesmo homem. Uma das
suas máximas admiráveis é sem dúvida digna de mencionar. Dizem ambas e também
dizia o meu irmão o mesmo. - Nunca adormecemos zangados.
Quem não gostaria de encontrar a solução para o
desentendimento, encontrar a paz e a harmonia com o seu par, antes de
adormecer?!
Pois é, mas há quem consiga e isso faz toda a diferença.
Quem é Pai ou Mãe certamente sente a 2ª emoção frequentemente,
especialmente quando os filhos começam a ver os Pais como antiquados ou
desactualizados.
Os Pais sentem o mesmo amor ou mais ainda e começam a notar e a ver que os
filhos se aborrecem com tudo o que dizem ou que fazem, ficando por isso
infelizes com a reacção daqueles que ama.
Amar e não ser amado também sucede sem o outro saber. Muitas vezes durante a
vida você ama e nunca se sabe desse segredo, até é uma surpresa quando
mais tarde diz a essa pessoa que viveu perdida de amores.
Você provavelmente está a ler estas linhas e está neste momento a amar alguém
em segredo, nem às pessoas mais chegadas confessa esse seu secreto sentimento,
esse seu secreto amor.
Algumas pessoas já são casadas, quando são terrivelmente assaltadas pelo
despertar desse sentimento por outra pessoa, ficando dentro delas por muitos
anos, abafado, tapado, coberto, enfim tudo fazem para não serem descobertas, é
um sentimento muito pesado para quem tem muitas responsabilidades, para quem tem
uma família.
A 3ª emoção, não amar e ser amado,
é muito vivido pelos jovens adolescentes, mas também por muita boa gente. Esta
emoção é vivida especialmente pelas mulheres, são elas as mulheres que sentem mais
este tipo de emoção por parte dos rapazes. Uma rapariga muito bonita tem
geralmente muitos rapazes a dizerem e a demonstrarem o seu amor, elas sabem que alguns estão mesmo perdidos de amor.
Sentir-se amado?! O comportamento da maioria das pessoas do sexo masculino é o
de tirar vantagens dessa rapariga que demonstra que o ama. Elas as mulheres são mais cautelosas em relação aos seus
sentimentos, receiam ser vitimas de abuso se o outro souber, vêm esse estado
emocional como
uma fraqueza, que as pode fazer perder o controlo. .
Não amar e ser amado, é um truque do destino. As pessoas que
não amam e são amadas, sentem uma enorme fortuna por esse motivo. Quando um
homem ama e não é amado esse homem vai à luta, tentando por todos os meios
despertar a sua amada para os seus anseios, mas quem é amado e não ama sente-se
incomodado com essas demonstrações de afecto, é muito raro uma mulher que não
ama o homem aceita-lo. Curiosamente a maior parte dos homens aceita a mulher que
demonstra estar interessada, que demonstra que o ama, claro que há excepções.
O truque do destino é fazer essa pessoa viver esta emoção ao mesmo
tempo que essa pessoa está amando outra pessoa.
O 4º estado emocional é o mais comum
na grande maioria das pessoas, não amar nem ser amado. É este estado emocional o
que tem vindo a causar maior distanciamento entre homens e mulheres.
A ausência de amor torna-nos vazios, sem chama, por isso não
admira ver tantas pessoas a amar o seu bichinho de estimação, a falar com o seu
bichinho de estimação. Há pessoas que deixam o seu cachorro ou gato dormir na
sua cama, falam com o seu animal de estimação como se dum ser humano se
tratasse. Quando o animal morre ficam tristes, mas depressa arranjam outro e
muitas destas pessoas arranjam outro animal mais novo, antes do velho ou doente morrer.
A dor, a mágoa das relações falhadas, leva cada vez mais ao
isolamento e ao distanciamento do amor. Será a solução? Será que apesar de tudo
vale sempre a pena tentar uma nova relação?
Quando jovem vive-se o amor a cada olhar a cada toque de mãos, sempre que se
inicia um namoro jura-se fidelidade para a eternidade, faz-se declarações
românticas, tudo serve para viver o amor.
Depois de algumas "mazelas" sentimentais, alguns momentos de
total infelicidade e tristeza demolidora, começa-se a recear o amor.
Amor é o expoente máximo dos sentidos emocionais, mas quem ama
vive em sobressalto constante.
Dizia um amigo Italiano quando lhe perguntavam se era casado,
se vivia com alguém: - Sou um homem tranquilo.
No conceito deste Sr. Farina, viver tranquilo é viver sem ter que se preocupar
com alguém a quem se ame.
Na minha modesta opinião penso que viver o amor é dor
provável, mas nada garante que surja no dia seguinte ou nunca aconteça. Também pergunto;
e viver sem amor, é viver?!
Penso que não é viver, e é por isso que grande número de pessoas têm animais de
estimação. Quando se pratica o sentimento do amor com aquele pequeno Ser,
sente-se um enorme prazer que nos faz sentir vivos, sentir que estamos a viver a vida.
Conheci uma senhora em Sesimbra através da minha irmã, que
tomou a decisão de nunca mais querer viver com outra pessoa após o
desaparecimento do seu marido no mar.
Afirmava esta senhora viúva, que nunca deixou de o amar e
nunca o vai deixar de amar, mesmo sabendo que já morreu.
Estes casos surgem com frequência, mas sempre que encontramos
alguém com esta disposição face à vida, não conseguimos deixar de sentir alguma
admiração. É uma prova bem viva que de que o amor existe e nada o pode
substituir.
As mulheres são as que com mais frequência, tomam estas decisões de nunca mais
substituírem o seu amado. São admiráveis.
Confesso que nunca encontrei um homem que tivesse tomado esta
decisão, de morrer fiel à sua amada. Já encontrei homens que cortaram a sua
relação com as mulheres, por se terem magoado nas suas relações.
Conheço alguns casos de homens que se suicidaram após o
divorcio, mas a causa foi atribuída à separação dos seus filhos menores.
Reconheço um caso dum amigo meu que se enforcou por saber que a sua esposa tinha
ido viver com outro homem. Chorava como uma criança e depois veio a suicidar-se.
Há muitos casos de homens que matam o amante a mulher e
muitas das vezes até os filhos e tentam suicidar-se de seguida. Há ódio nos seus
corações, há ira animal, não há amor neste tipo de homem que pratica esta
barbaridade.
A dor provocada pelo amor é terrível, duvido que haja alguém
que nunca a tenha sentido. O modo como lidamos com essa dor varia de pessoa para
pessoa.
Mas a questão que me deixa em introspecção é saber de onde vem essa dor? De
onde vem a dor do amor? Dói horrivelmente, dói dia e noite, dói até nos sonhos,
dói até quando estamos a comer, dói quando estamos a fazer amor com outra
pessoa. Dói sempre.
Já me aconteceu estar a fazer amor com uma mulher e ela estar
a chorar durante o acto, por sentir a dor do amor por outro homem.
É decepcionante quando mais tarde nos confessa a razão das
suas lágrimas daquele momento intimo, é frustrante, fica-se de boca aberta,
estupefacto. Mas é humano e tive que compreender que não era para mim aquela
mulher, enquanto o seu coração estivesse a verter lágrimas por outro homem.
Nos homens também sucede este estado de dor do amor, mas é raro o homem que
consegue entrar numa cena de sexo com essa dor. Nem consegue ter uma erecção
quanto mais entrar numa cena intima com outra mulher.
A mulher tem a vida facilitada, não precisa de mostrar qualquer evidência de
apetite sexual para iniciar a cena intima com o homem.
De onde vem a dor do amor?
Não temos nada dentro de nós, é só carne e ossos, nervos e
sensores de dor física, mas esta é uma dor não física. Não há nenhum ponto do
corpo que doa e ficamos inertes sem vontade para nada, por causa desta dor do amor.
No meu caso, que já me vi forçado a separar-me por duas vezes
de mulheres com filhos meus.
No meu caso que já vi dois irmãos, Pai, Mãe, 4 tios, Avós, tudo a morrer ano
após ano, sei bem o que é dor do amor.
Estranhamente ganhamos uma resistência natural a essa
sensação de dor do amor. A verdade se diga, dor é dor e a resistência que se
ganha é mais no sentido de não perdemos o controlo emotivo.
Dor no Aikido:
A maioria das pessoas não sabe porque desconhece, na prática desta Arte e desde
o primeiro dia começamos a sentir dor, através de técnicas de defesa pessoal e
de desenvolvimento do auto-controlo. São técnicas de pressão sobre os nervos, ou
técnicas de torção sobre as articulações as que nos fazem sentir dor.
A dor é sentida na mente e no local onde é aplicada a técnica. Muitas pessoas
abandonaram a prática após experimentarem estas técnicas. O que prova que muitas
são as pessoas que têm um baixo nível de resistência à dor.
Acredito que a solução não é a fuga à dor, porque a dor está
e estará sempre presente na nossa existência. Por outro lado está provado a
nossa tendência para apreciar a Primavera depois de viver o Inverno.
Depois do 1º mês de Primavera deixamos de apreciar os dias de Sol e a temperatura
amena, passamos a estar habituados e já não faz diferença. Nós Ser humanos somos
assim, se vivermos no prazer e no luxo nem nos apercebemos do que estamos a
desfrutar.
Após um período de tempo sem poder andar, sentimos um enorme
prazer quando a lesão passa e podemos de novo correr ou simplesmente andar sem
problemas de espécie alguma. Mas antes nem damos valor ao facto de ter pernas e
podermos correr ou andar.
Concluindo: A dor do amor faz falta.
Podemos considerar a dor do amor com um rigoroso Inverno e a
seguir chega a Primavera. Muitas pessoas recusam sair do Inverno rigoroso.
Dizem que não querem mais amar para não terem que sofrer, mas
sem voltar de novo a amar onde estará o seu sentimento do amor baseado? Num amor
a um animal de estimação ou na dor vivida através duma relação falhada?
Haverá sempre outra pessoa com quem possamos vir a tentar uma
nova relação, ou então renascer ou rejuvenescer a relação que temos actualmente.
Há sempre uma opção.
Muitas pessoas ao lerem estas linhas ficarão a pensar se o
que sentem pela pessoa com quem partilham o ar que respiram, é amor.
Muitas pensam que já não sentem amor há muito tempo, mas a realidade irá mostrar
que só darão valor à Primavera quando estiverem no Inverno rigoroso.
Todos nós começamos e acabamos uma relação baseados no grande sentimento do
egoísmo, o egocentrismo é a base do inicio e fim de todas as relações. Tem sempre a ver
com o que precisamos ou com o que procuramos para nós, é sempre o "Eu". Eu gosto
dela, eu quero estar com ela, eu sinto por ela, eu preciso, eu, eu, eu....!
Acaba-se normalmente uma relação porque temos dificuldade em dar. Dar o nosso
tempo, o nosso carinho, a nossa atenção, os nossos cuidados, dar o nosso amor,
dar a nossa compreensão, dar, dar.....!
A ironia deste egocentrismo; a dor do amor também é, a nossa
dor.
Nesta época natalícia em que damos muitos presentes,
experimentem dar uma caixinha vazia a uma pessoa de quem gostem muito.
Quando essa pessoa abrir a caixinha vazia irá perguntar, qual
é a ideia da oferta.
Nessa altura abracem essa pessoa e digam.
A caixinha está vazia porque o que sinto em mim por ti, não
consigo colocar num presente. Obrigado por seres quem és.
|