Descriminar: de 3-11-2010(des+criminar) Descriminação - s. f. Derivação fem. sing. de descriminar. v. tr. Tirar a culpa a; absolver do crime imputado; = Descriminalizar Discriminar: (latim discriminatio, - onis, separação) s. f. 1- Ato! ou efeito de discriminar. = Distinção 2- Ato! de colocar algo ou alguém de parte. 3- Tratamento desigual ou injusto dado a uma pessoa ou grupo, com base em preconceitos de alguma ordem, nomeadamente sexual, religioso, étnico, etc. -/-
Quando se observa estas duas palavras, podemos verificar uma pequena diferença entre elas, mas quando sentimos o efeito destas palavras a diferença é abismal e algumas das vezes, faz-nos sentir que existe o Céu e o Inferno. Quem é que já
não foi acusado de algo e depois descriminado do
que o acusavam? É absolutamente natural, que nos
suceda muitas vezes na nossa vida, situações de
acusações injustas ou simplesmente impensáveis. Discriminar é terrível, horrível, e mais nem sei quantas expressões negativas, com que se possa pensar usar, para esta palavra. Ninguém gosta de ser discriminado, no entanto é provável que alguma vez na vida já tenha discriminado alguém ou algo? Se perguntar a si próprio dificilmente admitirá que o tenha feito, é como se tal ação fosse inadmissível em nós. Sucede o mesmo sobre o racismo, há muita gente contra o racismo e muitos são racistas sem o notarem. Talvez não seja racismo, talvez seja discriminação?
A
discriminação e o racismo andam
muito perto um do outro, algumas
vezes é racismo e outras é discriminação.
Conheço pessoas que não aceitariam
sentar-se ao lado de um Ser humano
da raça negra, num qualquer transporte
público. Essa pessoa mudaria de
atitude, se esse Ser humano estivesse
com ela num jantar de gala e fosse
essa pessoa de raça negra a figura
de relevo nesse mesmo jantar. Então
teria que admitir, que tinha feito
discriminação quando procedeu do
outro modo no transporte público?
Poderia alegar que foi por segurança,
por receio, etc., mas nada justifica
a atitude, certo?!No Aikido como em qualquer Desporto pode haver discriminação entre pessoas de raças diferentes ou de qualquer outro modo? Sim pode. Já verifiquei, mais que uma vez entre crianças a discriminação, por ser gorda ou por ser de outra raça, também entre adultos isso já aconteceu mais que uma vez. Penso que o discriminar vem da aversão a algo que a outra pessoa tem ou demonstra, é quase como uma antipatia, ou empatia no caso dos que são mais procurados pelos outros. Até os animais de estimação podem ser discriminados, dependendo se são de raça ou se são caríssimos ou não, ou ainda por serem mais bonitos, mais ternos que outros. Já vi pessoas a pontapear o Cão que farejava ou empoleirava-se no seu Cão ou Cadela de estimação. Apetecia perguntar a essa(s) pessoa(s), se gostam realmente de animais ou se gostam unicamente do seu animal de estimação, o "SEU" Cão.
Um Pai ou Mãe pode discriminar um
filho(a)? Sim, claro que sim, é
absolutamente natural que o faça,
admitindo mais abusos ou adquirindo
com mais frequência bens para o
filho(a) favorito, dando mais atenção
aos seus problemas, conversando
mais vezes com o
favorito,
abraçando mais vezes. Soa como que
a "pecado" ler estas palavras sobre
a discriminação de Pais e Filhos,
parece impossível tal discriminação?!
Não, não é, como também existe discriminação
de filho(a) para o Pai ou
para a Mãe, sendo neste caso mais
natural a Mãe beneficiar de mais
atenções, mais carinhos, mais apoios,
tudo muito mais que para o Pai.
Claro que há excepções, há casos
de grande discriminação para ambos
os lados, mas nem um lado nem o
outro aceita essas atitudes como
discriminar.Então o que é? Tratamento desigual é discriminação! Então, todos discriminamos de algum modo alguém ou alguma coisa em vários momentos da nossa vida, certo? Na Escola, é comum ouvir os alunos
queixarem-se de discriminação dos professores, especialmente
após obterem resultados negativos no fim do Período,
de uma qualquer Disciplina. Fui incriminado já algumas vezes,
muitas mais vezes incriminado do que discriminado,
durante a minha carreira de Mestre de Aikido.
Não existe razões para um Mestre
dar mais a um que a outro, mesmo que seja um grande
amigo seu. Se todos são seus alunos no seu Dojo
(Ver
significado de Dojo), o Mestre não pode ir contra
a sua natureza de formador no "Lugar do Caminho"
dando tratamento desigual a quem quer que seja.
Não há problemas de mau comportamento,
não há necessidade de vir a desenvolver sentimentos
de vingança por qualquer aluno, nem tão pouco, castigos
indirectos seja a quem for.
Já fui discriminado pelo meu Mestre
Doshu Honda, várias vezes ele fez
distinção do meu esforço, do meu
trabalho, da minha dedicação ao
Aikido.
Meu Mestre já discriminou a nossa
velha amizade, mais de 35 anos
e ainda resiste. Também já discriminou
a minha Técnica perante toda a classe,
no Japão e em várias Escolas de
Aikido e perante vários outros Mestres
de Aikido. Fiz os impossíveis para merecer o seu favoritismo, durante cinco anos seguidos só faltei duas vezes às suas aulas no inicio do Aikido em Setúbal. Uma vez foi a um Sábado quando me casei, voltando aos treinos na Terça-feira seguinte interrompendo a "Lua de mel", e a outra vez foi quando morreu o meu irmão. Quando ele começou por vir a Setúbal uma vez por semana eu ia treinar com ele no Estoril-Lisboa. Ia de transporte público, até ao Dojo nos Bombeiros do Estoril, apanhava o autocarro até Cacilhas, depois o Barco para o Cais de Sodré e de seguida o comboio para Cascais. Quando ele chegava ao Dojo habitualmente já estava treinar há pelo menos uma hora, sozinho ou com outro aluno. Tinha sempre o Dojo montado e limpo. Agora o que me fez doer estranhamente a alma, foi ter sido incriminado de ter feito discriminação de um aluno (criança de 7 anos) num exame de Aikido. Isso foi difícil de engolir, foi como se tivesse qualquer coisa entalado na garganta que não ia para baixo, nem saia. Nunca fiz discriminação com ninguém no Dojo e muito menos faria com uma criança.
Penso que não consegui ser ilibado
da acusação, a Mãe da criança ouviu
o porquê, do seu filho não ter passado
no
exame
de Aikido. Disse-lhe que a sua criança
mostrava-se muito nervosa e que
apesar de ter sido várias vezes
aconselhado a agir devagar, no controlo
do braço do seu atacante, ele parecia
que não nos ouvia e quando assim
é, temos que interromper o exame
por questões de segurança e evitar
acidentes no seu oponente. Foi a primeira vez que vivi tal experiência, de ser acusado de discriminar uma criança e confesso que foi difícil de esquecer este episódio. Se pensarmos melhor seria uma atitude pouco inteligente, tentar discriminar uma criança no Exame estando tantas pessoas a observar, especialmente os Pais. A nível Nacional sou o Mestre
de Aikido com mais praticantes crianças, segundo
informação da Federação Portuguesa de Aikido e isso
deve-se ao fato de eu gostar de crianças. Não só
das minhas 4 crianças (2 já são uns homens), mas
também das crianças dos outros Pais.
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