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Este assunto é muito comum a muitos de nós e quanto mais velhos
somos mais vezes o passado volta ao presente. Umas vezes é agradável
este encontro com o passado, outras nem tanto. É sem dúvida
impossível escapar a estes encontros com o passado.
No caso de alguém que ensina, os encontros com o passado são
feitos muitas vezes com pessoas com quem nos relacionámos no
processo do ensino. Quando éramos crianças, quando já adolescentes
ou mesmo adultos, recordamos os encontros e desencontros que tivemos
com essas pessoas que tiveram a função de nos ensinar.
Sempre que se inicia uma nova época desportiva surgem sempre antigos
alunos, que desejam voltar aos treinos e que abordam o Mestre
recordando o que fizeram. Alguns destes alunos ficam a observar as
aulas e muitos nem chegam a se despedir do Mestre (Talvez porque
pensem não voltar), concluem possivelmente que já não sentem a
coragem ou que já não são capazes de se dobrar e levantar do chão e
que tudo aquilo deve ficar nas suas memórias de quando eram mais
novos.
Desta vez venho falar daqueles que ficam, daqueles que recordam o
seu passado como atleta, dos saltos que eram capazes de executar sem
medo. Muitas das vezes tenho dificuldade em os reconhecer, dizem-me
que estou na mesma que não envelheci (Das duas uma; Ou fui sempre
velho ou tenho mantido a aparência dos 40 anos de idade, ou.....),
claro que envelheci todos envelhecermos, respondo eu com um sorriso.
Estes atletas, alguns com
estórias de há mais de 25 anos,
apresentam-se exageradamente gordos ou com grande excesso de peso,
falam das dificuldades com o coração e com algumas articulações,
nomeadamente a coluna vertebral.
Não posso deixar de admirar aqueles que ficam, aqueles que têm
coragem e vontade para recomeçar, são sem dúvida admiráveis.
No Aikido não há competição e como tal todos podem participar nos
treinos executando os exercícios como puderem ou quiserem, ninguém é
obrigado a seguir a velocidade ou a força de quem quer que
seja e todos podem treinar com todos.
-Não me reconhece? Fui seu aluno!
Esta expressão é tantas vezes usada para comunicar comigo, sem
dúvida que não o reconheço, a pessoa agora tem mais idade, já se
passaram 20, 30 anos ou mais. Muitas das vezes essa pessoa foi uma
criança quando meu aluno de Aikido e agora no presente são casados
com família, carecas, gordos ou muito envelhecidos pela luta diária
de alguém que passou viver com amor para a família e para o
trabalho.
O Desporto ajuda a manter-nos em boa forma e permite ao nosso corpo
eliminar os resíduos que se vão alojando com o passar dos anos, a
pele é limpa através da transpiração assim como todo o corpo. O
sistema de auto-massagem aplicado em cada aula de Aikido, contribui
para melhorar as articulações desde do rosto até aos pés.
A flexibilidade é trabalhada em todos os treinos, a flexibilidade
tem prioridade em relação à musculação, a nossa filosofia leva-nos a
pensar que é mais importante, sermos capazes de coçar as costas com
a nossa própria mão, do que andarmos à procura duma ombreira de
(Situação muito comum com aqueles, que desenvolvem exageradamente os
músculos e até gastam dinheiro com produtos químicos, para atingirem
grandes massas musculares.) uma porta para o fazer.
O carinho que envolve estes encontros com o passado é deslumbrante,
dá um enorme prazer constatar que ficou uma amizade entre nós, que
aqueles tempos vividos em busca do Caminho "DO", fez de nós
cúmplices da busca pela perfeição e pelo equilíbrio entre os
humanos.
As barreiras que ambos passámos, vêm ao presente como objetivos
alcançados com sucesso. Sim! Porque um Mestre de Artes Marciais não
se limita só a ensinar a Defesa Pessoal, também se envolve na
evolução do individuo sobre a passagem de barreiras psicológicas e
físicas.
Nem sempre o Mestre consegue agradar a todos, há sempre quem entre
em colisão com "Ele".
Por esta ou aquela razão o Mestre é culpado, julgado e condenado,
afinal é humano.
Mas continua sempre em frente.
Bons treinos
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